22 dezembro 2008

águas-marinhas

Todos os dias ela acorda
Numa cama diferente
O vento sopra frio entre as pernas
Ela não sabe bem o que sente

Os olhinhos azuis no berço
Não compreendem a realidade
Se pudessem intervir
Talvez optassem pela liberdade

A areia movediça as engole
Lágrimas escorrem na escuridão
Sofre com os olhinhos azuis assustados
Mas não acha a solução

Os olhinhos azuis não entendem
O amor incondicional
Se mamãe fosse mais forte
Não sofreriam igual.

Continua plantando más sementes
Os olhinhos azuis vão crescer
Frutas cada vez mais podres
Continuarão a comer

Não consegue se libertar
Continua enclausurada
Perdidas num labirinto
Com todas as saídas fechadas

Mas um passo sem pensar
Duas águas-marinhas,
Seu único tesouro
E ela não sabe onde as vai levar
E ela não sabe onde as levar...

=p