19 dezembro 2008

Naquele momento ela fumava o cigarro e esperava o ônibus.
Ela sabia aonde estava indo
Sabia onde estava
Mas procurava saber o que estava sentindo.
Alguma coisa doía em seu peito
E apesar do cigarro.
Ela sabia que não era infarto
“Menos mal”- pensou
Otimista como ainda era.
Se ela estava triste
Ou apenas cansada
Ela não sabia
Procurava distinguir.
Esperava o ônibus para outra cidade
Ao Sul, onde trabalhava.
Estava um dia lindo
E ela desejava estar na praia.
Ah... aquela maldita manhã de sábado.
Tão quente, tão alegre
E tão cheia de responsabilidade.
As amigas haviam ligado.
Os caranguejos na panela
Aqueles crustáceos que eram dela.
Mas aquela manhã de sábado já não era.
Algo doía nela.
“Doer é bom quando passa.”
Até triste, ela era otimista.
Ela era incrível.
E ainda assim ele não a queria.
“Não sabe o que está perdendo”- pensou.
Mas ela sabia que era uma questão de tempo.
E que só o tempo cicatrizaria suas feridas.
Aquela não era apenas mais uma manhã de sábado.
Era a manhã de tempo que ela precisava.
Ainda que lentamente,
Ela juntaria todos os caquinhos.
Naquele momento,
Era apenas pedacinhos de si mesma.
O ônibus chegara.
E os pedacinhos dela partiram.

Júlia Melo

Um comentário:

“O sentimento de perda supera toda a raiva” disse...

Tá lindo teu blog! As fotos estão um arraso!!! =)

Pri